quinta-feira, 20 de maio de 2010

Companheiros e Companheiras;

Com o slogan "Direito é Bom: Nós gostamos e lutamos por ele", a CUT Amapá está aderindo a Campanha Nacional em Defesa dos Direitos dos (as) Trabalhadores (as) com Deficiência no Estado. Por uma organização forte e representativa, juntos vamos lutar pela inclusão dos trabalhadores (as) com deficiência no Estado do Amapá. Neste sentido, contamos com a presença de todos (as) companheiros (as) no evento.

Local: Colégio Graziela Reis Souza
Hora: 08:00h (pontualmente)
Dia: 21 de maio de 2010.

Saudações Cutistas a Todos e Todas,

Andre Souto
Secretário de Políticas Sociais CUT/Amapá
(96) 91224697

terça-feira, 27 de abril de 2010

Amapá, o Brasil começa aqui.

Historicamente pode-se dizer que o Amapá tem grande importância para a formação geopolítica brasileira. As terras do Amapá desde 1637, sob o nome de Capitania Hereditária da Costa do Cabo Norte, foram doadas pelos Espanhóis aos Portugueses. Desde então, os portugueses tiveram grandes embates com os ingleses, franceses e holandeses pelas terras onde hoje se encontra o Estado do Amapá.
Em outras palavras, se os portugueses não se defendessem das tentativas de invasões estrangeiras pelo principal porto de entrada que era a foz do Rio Amazonas, onde se encontra o “abstrato” Estado do Amapá, me pergunto: será que o concreto Estado de Goiás existiria hoje? Se não fossem esses acontecimentos a qual o Amapá fez parte e ficou marcado na história brasileira e que infelizmente muitas pessoas não conhecem, acredito fielmente que, grande parte das terras brasileiras não pertenceria à República Federativa do Brasil e sim aos ingleses, franceses ou holandeses pois, quem garante que eles iam se contentar apenas com um “abstrato” pedaço de terra no extremo norte do Brasil.
O Amapá é um Estado impar, temos a Fortaleza de São José de Macapá, construído 1782 pelo então Governador do grão Pará e Maranhão Ataíde Teive, irmão do Marques de Pombal. Essa obra é a maior fortificação construída pelos portugueses no Brasil e hoje umas das setes maravilhas do Brasil. O Amapá possui uma cultura própria como o Marabaixo e o Batuque, temos o açaí com o camarão e o tacacá.
Não temos artistas, escritores, músicos e compositores reconhecidos nacionalmente ou mundialmente porém, temos grandes artistas, escritores, músicos e compositores que escrevem a nossa história, o nosso cotidiano, a nossa terra tucujus e isso é o que importa, valorizamos a nossa cultura respeitando a cultura alheia.
O Amapá é a terra do nunca para quem não conhece nossa simplicidade, a nossa hospitalidade e a nossa cultura. E se o Amapá não é “tão” desenvolvido economicamente a culpa não é nossa e sim de governantes que priorizaram o desenvolvimento das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste e deram pouca importância para a Região Norte em especial o Estado do Amapá.
Mas, por outro lado, temos o Estado mais preservado das Federações, temos o Parque do Tumucumaque que concentra uma biodiversidade imaginável e o maior parque de área verde do mundo. Nossos índios têm florestas e terras demarcadas, não expulsamos e nem matamos nossos trabalhadores rurais, índios, poceiros, meeiros, e nosso caboclo tucujus para a exploração da madeira, para criação de gado ou para a implantação da monocultura como a soja. Muito pelo contrário somos responsáveis pelo resgate de carbono provocado pelos estados desenvolvidos ou “concretos”.
Nossa bela cidade é banhada pelo maior Rio do Mundo, temos o surf na pororoca. E antes que me esqueça, não posso deixar de mencionar nosso maior jogador o lateral-direita Aldo da Silva do Espirito Santos, mais conhecido como Aldo, tri campeão carioca (1983, 1984 e 1985) e campeão brasileiro (1985), ele é Amapaense e seu irmão Bira foi campeão brasileiro pelo internacional.
Já que estamos falando de futebol, temos um estádio cortado pela linha imaginário do Equador e assim como São José perdeu de 7 a zero para o Goiás e tornou um “Estado Abstrato” fico imaginando o que se tornou o Guarani que perdeu de 8 a 1 dos Santos. O que posso pensar é que realmente o futebol é uma caixinha de surpresa. Quem imaginou que o Amapá se tornaria “abstrato” apenas por uma partida de futebol. Mas tenho certeza que nosso povo tucujus é bem concreto e amistoso, afinal de contas para um povo que tem coragem de “mamar em onça” imagine o que faria com um ignorante metido a escrever sobre o que não conhece ou imaginar conhecer. Pois, o que é “abstração” para certos ignorantes da história ou da geografia brasileira, é sinônimo de orgulho e esperança para o povo tucujus do extremo Norte do Brasil.
Autor: Andre Souto
Sociólogo, amapaense e caboclo tucujus.

Bibliografia:

NEVES. Milton. Que fim levou. Disponível no sitio: http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_interna.php?id=1573&sessao=f, acessado em 27 de abril 2010.

SANTOS. Fernando Rodrigues dos. História do Amapá.
4ª Ed. Macapá - AP / Editora Valcan. 2000.

SOUTO. Carlos Andre da Silva. Os impactos sociais provocado pela migração no Amapá: um estudo de caso do bairro liberdade. Monografia apresentado a faculdade de Macapá – FAMA, ao Colegiado de Sociologia. Amapá, 2007.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O verdadeiro significado da Páscoa

Atualmente, vivemos em uma sociedade, onde a ordem social, econômica, política e cultural é o capitalismo, tudo que fazermos gira em torno do capitalismo. Se repararmos bem, até mesmo nossas relações com o outro e nossas ações para o outro, está vinculada há certo interesse, ou seja, a uma rua de mão dupla. Aproximamos-nos das pessoas que nos interessam e ajudamos aqueles que nos podem ajuda. Não que isso seja uma regra, mesmo que fossem todas as regras têm exceções.



O que falo é cientificamente comprovado por Max Weber, em sua ação social. Para ele toda relação é cercada de interesses próprios ou coletivos, onde o indivíduo possa ter algum proveito. Até mesmo as relações amorosas existem uma carga de interesse. A pessoa nunca se aproxima de outra por amor, a primeira coisa que faz um indivíduo se aproximar de outro é o interesse. Esse interesse pode se pela beleza, pela inteligência, pela simpatia, assim como, o outro ser bem sucedido, se independente financeiramente, pelo status social, etc. O certo é que de alguma forma as relações estarão carregadas de interesse pessoais de ambas as partes, e somente depois, surge à paixão, o amor propriamente dito, ou não.



Na verdade falo sobre isso, para que façamos uma reflexão sobre nossas ações, para com o próximo, para que possamos fazer o bem sem olhar aquém, sabemos o quanto é difícil, pois faz parte da nossa natureza. Às vezes nos preocupamos com as desgraças que ocorrem bem longe de nós que vemos pela televisão, mas não nos preocupamos com o nosso vizinho, com um parente próximo, com o nosso irmão, com nos pais e avós. Quantos de nós sabemos o nome de nossos vizinhos? Quantos de nós sabemos o que se passa na casa ao lado da nossa? Quantos de nós sabemos o que o nosso vizinho irá comeu hoje? Ou se comeu ontem?



São perguntas que poucos responderão tenho certeza! Pois, vivemos para nós mesmo e mais ninguém. Como diria Thomas Hobbes: “O homem é o lobo do próprio homem”. Mas isso, não é culpa somente nossa, e sim de uma sociedade doente em que vivemos, uma sociedade que nos leva a pensar e agir dessa forma, que nos levar a esquecer das mais nobres ações humanas como a caridade e a solidariedade. Essa mesma sociedade que nos leva a pensar e agir como se a Páscoa fosse somente dá e receber ovos de chocolate de presente, que nos levar ao consumismo, esquecendo do amor ao próximo. Faz nos esquecer que a Semana Santa é a morte e a ressurreição de Cristo e que temos que refletir sobre nossas ações.



Estamos em plena Semana Santa, e muitos não dão a mínima para isso, querem apenas “curtir o feriado prolongado”. Esqueceram de valores que aprendemos com nossos avôs e nossos pais, são tradições que ao longo dos anos vem sendo esmagada pelo capitalismo, a Páscoa virou sinônimo de consumismo, virou um mercado e não uma data Santa, carregado de simbolismos religioso. Perguntem a seus filhos o que representa a Páscoa para eles, façam o teste! Eles responderão que a Páscoa representa apenas um ovo de chocolate com um bom brinquedo dentro e para os pais uma fatura no final do mês do cartão de crédito.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Email não é brincadeira
Até que muitas vezes quando recebo algum email que tiram brincadeira com o Lula, acho engraçado. No entanto, temos que ter muito cuidado quando encaminhamos esses email, ou essas brincadeiras para outras pessoas de sua lista de contato. Sabe porquê? Porque quem cria esses email de xacota, tem como único intituito e objetivo difamar o Presidente LULA e ligá-lo a uma pessoa burra e mentirosa, assim como as pessoas que o circundam no meio político.
O PT está no poder a quase oito anos, e isso para a elite capitalista não está sendo muito bom. A mídia brasileira, principalmente a emissora Globo, a revista Veja e o Jornal O Estado de São Paulo entre outros meios de comuinicação defendem os interesses dessa elite capitalista que querem voltar ao poder.
Passamos 500 anos sendo explorados e discriminados, onde a concentração da riqueza estava na mão apenas de 5% da população. O Governou Militar, acabou com a democracia brasileira e colocou os partidos de esquerda e socialistas na clandestinidade. O presidente Collor sequestrou a poupança dos brasileiros levando centenas de pessoas ao suicídio e e milhares a falência pessoal, já o Governo FHC deu dinheiro a banqueiros para não “quebrar”. No entanto, sucateou a educação, saude e segurança pública, privatizou mais da metade do nosso Patrimônio Nacional, abriu as portas para o mercado internacional sem aos menos criar uma política de proteção para empresas Brasileiras, ocasionando a falência de várias empresas genuinamente brasileiras, porque não tiveram como concorrer com as multinacionais e transnacionais que se estalaram no Brasil, pois não estavam preparadas para uma abertura comercial.
Diferentemente o governo LULA tem outra visão política, visa o bem-estar-social da população brasileira que realmente precisa (as classes sociais mais desprovidas de recursos financeiros). Aumentou o poder de compra de quem aquece a economia brasileira, o que significa uma melhor qualidade de vida.
Assim como muita gente questiona a política de cotas para negros e índios nas Universidades Federais e as Bolsas Assistenciais criada pelo governo Lula, por outro lado muitas pessoas a defendem. No meu ponto de vista, só questiona esse tipo de políticas afirmativas e compensatórios desenvolvida pelo governo, quem não precisa, ou seja, quem tem plano de saude, quem coloca seus filhos nas melhores escolas particulares (o que favorecer um melhor estudo e consequentemente o acesso a uma universidade federal), quem não é negro, quem não é índio, quem realmente não é pobre, quem não tem um bom QI (quem indique políticamente) para cargos no governo e empresas privadas.
Realmente vejo que para essa elite capitalista e burguesa que estão a anos no poder, seja dificil dividir o queijo, ou que mexam no seu queijo, uma vez que temos políticos enraizado tanto na câmara, como no senado federal, sem contar nos Estados. São polticos que herdaram currais eleitorais da época do Coronelismo, exemplo disso, hoje temos até neto desses políticos na câmara Federal.
A mídia hoje é o quarto poder, como diria Louis Althusser, funciona como um aparelho ideológico. No entanto, não um aparelho ideológico do Estado e sim da elite burguesa brasileira. Então, a Globo, a Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, assim como a revista Veja, entre outros meios de comunicação, jamais irão falar bem de um governo que eles combatem e querem derrubar, uma vez que o Presidente Lula quando assumiu, acabou com o monopólio da Globo sobre as propragandas federais. O Lula dividiu a fatia equinamente para todas as emissoras de televisão, rádio, jornais e revistas, ou seja, não agradou muito bem, principalmente a Globo que possuia 80% da fatia, por esse motivo, também, utilizam de calúnias e mentiras infundadas na tentativa de envenenar a população contra o governo.
Mas tudo isso tem seus motivos, estamos em ano eleitoral e o PT vai indicar a Ministra da Casa Civil Dilma Rossef para a concorrer ao cargo maior que é a presidência da República para dá continuidade as políticas públicas e economicas desenvolvidas no governo Lula. Assim, como denegrirão a imagem de vários companheiros, como Dirceu, Bezoinni, Genoíno, Palocci, entre outros companheiros, a mídia vem sucessivamente tentantando implacar a mesma política com a ministra, o que não aconteceu. Dessa forma, estão mais uma vez tentando atingir o Presidente, através do atual tesoureiro do PT João Vacari. Mas, tenho a certeza que a verdade vem a tona e assim como não conseguiram provar nada contra José Dirceu que foi cassado por critérios políticos e inocentado no processo administrativo. O governo Lula e o PT vão continuar de cabeça erguida e eleger a primeira Mulher Presidente do Brasil com a maioria dos votos do povo Brasileiro. Pois, eu sou Brasileiro e não desisto nunca.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O impacto da Conservação da Biodiversidade sobre os Povos Indígenas

O Artigo escrito por Andrew Gray, publicado originalmente no Livro: A Temática Indígena na Escola, organizado por Aracy Lopes da Silva e Luís Donisete Benzi Grupioni. O livro foi publicado com o objetivo de fornecer informações mais detalhadas sobre assuntos indígenas, a professores de primeiro e segundo grau e a seus alunos. No entanto, superou em muito esse objetivo e tornou-se um dos livros mais completos sobre à temática indígena, defendendo o convívio entre povos diferentes.O livro reúne vários artigos; escritos por grandes historiadores, antropólogos e outros acadêmicos. Um fragmento do texto de apresentação sobre o livro:
"A reflexão sobre os povos indígenas e sobre as lições que sua história e suas concepções de mundos e de vida podem nos trazer, aliada ao exame dos modos de relacionamento que a sociedade e o Estado nacionais oferecem aos povos indígenas constituem um campo fértil para pensarmos o país e o futuro que queremos."
O artigo de Andrew Gray refere-se basicamente sobre a relação da sociedade indígena e a conservação da biodiversidade da floresta, onde divide o tema em vários subitens.
No primeiro: A crise da biodiversidade – o autor chama a atenção para a questão da à ameaça da “biodiversidade” e as análises dos problemas e as propostas sugeridas para resolvê-la. No entanto, indaga que a questão da conservação da biodiversidade está sujeita a violação dos direitos humanos dos índios e se algumas das políticas, em discussão, chegaram a ser implementadas.
Segundo: A crise da diversidade cultural: Gray fala sobre a diversidade cultural no mundo, aonde os povos indígenas chegam a representar cerca de 90% à 95% dessa diversidade. Porém, nos planos relativos a biodiversidade, os povos indígenas não estão inseridos.
Terceiro: As Zonas de proteção. Gray ressalta a questão da criação de zonas de proteção de áreas de alta diversidade biológica, definidas como “ecossistemas naturais”, onde tem a função de proteger espécies com o mínimo de interferência humana. No entanto, nestes planos não são levados em consideração a questões de conflitos entre os povos indígenas e dirigentes dos parques, ou quando são encorajados e transferir-se do seu ambiente natural.
Quarto: Reservas extrativistas e comércio – O autor relata várias formas de agregar a conservação da biodiversidade em conjunto dá utilização de seu potencial de recursos para gerar lucros e rentabilidade. Entretanto, a proposta contém muitos problemas quando se busca aplicá-la junto aos povos indígenas, pois esse processo pode ter sérias conseqüências para os povos indígenas, haja vista, que o comércio não é sua principal prioridade.
Quinto: Direito de propriedade intelectual e conhecimento indígena – falar da questão do conhecimento de plantas para o uso medicinal a qual são expropriados esses conhecimentos e patenteados em outros países por grandes grupos farmacêuticos.
Sexto: Os povos indígenas e a Biodiversidade – O autor faz uma definição entre “povos de ecossistema” onde se encontram as tribos indígenas e “povos da biosfera” que são aqueles que têm toda a biosfera a sua disposição, diz ainda que, à ameaça da biodiversidade do mundo está nas mãos de poderosas organizações, onde até agora, segundo o autor, tem defendido somente os interesses dos “povos da biosfera” e os interesses dos “povos de ecossistema” não têm sido prioridade na agenda dessas organizações.
Durante todo o artigo, o autor, falar sobre os direitos indígenas. Porém, o próprio autor alerta para o fato que em detrimento da conservação da diversidade biológica esses direitos estão sendo colocados à margem.

Bibliografia:

GRAY, Andrew. O impacto da Conservação da Biodiversidade sobre os Povos Indígenas. In: Temática Indígena na Escola: Novos subsídios para professores de 1º e 2 º graus Org.: SILVA, Aracy Lopes da e GRUPIONI, Luís Donisete Benzi. Brasília, MEC/ MARIR/ UNESCO. 1995.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Etnia Indígena ou Classes minoritárias no Brasil atual

Nos dias atuais nota-se uma contradição sobre a relação dos povos indígenas e a sociedade envolvente, visto que os primeiros possuem além de costumes e hábitos próprios de uma vida coletiva e a segunda vê a primeira quase sempre com juízo de valor. O índio e o negro no Brasil, até pouco tempo, era sinônimo de piadas e deboches, como: “não sou índio para ter o nariz furado” e “até parece negro”. Essas duas frases deixam claro, como o índio e o negro eram visto perante a sociedade contemporânea brasileira. Porém, o que se vê hoje, é diferente, ser índio é sinal de cidadania, é ter terra para planta e principalmente é visto por certas camadas da sociedade brasileira, como sinal de sobrevivência humana.

O que mudou? A sociedade? Diante dessas indagações tentaremos construir argumentos através deste artigo científico. No entanto, uma abordagem histórica da etnia indígena brasileira se faz necessário para relacioná-la com as políticas afirmativas e compensatórias promovida pelo Estado nos dias atuais para que dessa forma possamos compreender os fatos atuais relacionados à identidade indígena e, sobretudo, as políticas compensatórias e afirmativas para o setor.

É notório que desde o descobrimento do Brasil, os índios brasileiros, principalmente os do Nordeste sofreram um processo de aculturação, onde muitos perderam sua identidade cultural, como a língua original, costumes e hábitos tradicionais. Mas, a principal perda foi gerada pelos padres jesuítas, quando desembarcaram no Brasil, com a missão de catequizar os povos indígenas brasileiros, esse processo pode ser considerado como um verdadeiro genocídio cultural. Muitas tribos ao longo do processo de colonização foram dizimadas do contexto social brasileiro, havendo somente relatos e escritas sobre elas. Uma das principais tarefas dos portugueses no Brasil seria a de "organizar" os índios, trazê-los para a verdadeira fé cristã, para que assim, costumes como a poligamia, a antropofagia, o andar sem roupas, dentre outros, fossem extirpados. Havia unanimidade quanto ao entendimento, por parte dos jesuítas, que tal feito seria fácil, visto que, segundo o Padre Manoel da Nóbrega, estes nativos não adoravam nenhum deus, dizia ele: "são como papel branco, onde podemos escrever à vontade", ele mencionava os tupinambás.

A estimativa era que no Brasil em 1500, existiam de 1 milhão a 3 milhões de indígenas. Em cinco séculos a população indígena brasileira reduziu para aproximadamente 400 mil índios o que representa 0,02% da população brasileira. São encontrados em quase todo o país, mas a concentração maior é nas regiões Norte e Centro-Oeste. A FUNAI registra a existência de 206 povos indígenas, 170 línguas, algumas tribos com apenas uma dúzia de indivíduos. Somente dez povos têm mais de 5 mil pessoas. As 547 áreas indígenas cobrem 94.091.318 ha, ou 11% do país. Há indícios da existência de 54 grupos de índios isolados, ainda não contatados pelo homem branco. Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses. O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural.

Diante de todo esse contexto histórico e social indígena brasileiro, percebe-se por parte do governo, mas leia-se, através das pressões populares minoritárias, um novo contexto político, econômico e social em torno do tema etnia no Brasil, o que significava sinal de estranhamento na sociedade, hoje, é vistos como grupos sociais minoritários e organizados que lutam por reconhecimento de sua cultural e demarcação de suas terras, conseqüentemente assumem a etnia indígena, abrem mão de sua liberdade, para viverem em coletividade. Exemplo claro dessa mudança de comportamento é o caso do que acontece no Nordeste brasileiro.

Segundo João Pacheco Oliveira, na década de 50, a relação de povos indígenas do Nordeste incluía dez etnias; quarenta anos depois, em 1994, essa lista montava a 23. Como resultante desse contexto, surge a primeira tentativa de definição dos "índios do nordeste" como uma unidade, isto é, um "conjunto étnico e histórico" integrado pelos "diversos povos adaptativamente relacionados à caatinga e historicamente associados às frentes pastoris e ao padrão missionário dos séculos XVII e XVIII" (Dantas, Sampaio e Carvalho 1992:433).

Podemos, dessa forma, creditar o surgimento de “novos índios” relacionados à questão de cidadania. A sociedade brasileira é altamente estratificada, onde abismo social entre os ricos, pobre e miserável é dantesco. Neste sentindo, grupos à margem da sociedade, excluídas socialmente e esquecidas pelo poder público, vêem na identidade étnica indígena uma forma de serem assumidos pelo Estado como cidadãos brasileiros, com direitos a uma cultural própria, saúde, educação, terras demarcadas, etc.

Contudo, temos que ter certo cuidado, por que num país miscigenado como o Brasil, que criteriosamente definem a existência de etnias merecedoras de tratamento especial por parte do Estado. O que se percebe é que as políticas compensatórias e afirmativas no Brasil geraram mais discussão e polêmica sobre o assunto etnia, uma vez, que no sistema de cotas, por exemplo, qualquer indivíduo pode assumir-se como, negro ou índio, que padrões e/ou critérios utilizar para dizer quem é índio e quem não é.

Portanto, para concluirmos, utilizaremos as palavras do economista, Roberto Monte-Mor (UFMG), que diz: “hoje cultura é uma opção”. Ele parte do princípio da relação custo benefício de se assumir a identidade indígena, ou seja, o que se vê na identidade indígena nos dias atuais é que ela está atrelada a questão de bem-estar-social do indivíduo que se encontra em situação de risco social, onde vêem na identidade indígena uma forma de sobrevivência social, cultural, política e econômica, dentro de uma sociedade estratificada e excludente como é o caso do Brasil.

Referencial Bibliográfico

ALDÉ, Lorenzo. Etnia pra que te quero. Revista de História da Biblioteca Nacioanl. Ano 2 nº 18 março 2007.

CARNEIRO DA CUNHA, Manuela. 1987. Os Direitos do Índio: Ensaios e Documentos. São Paulo: Editora Brasiliense.

DANTAS, Beatriz G., SAMPAIO, José Augusto L. e CARVALHO, Maria do Rosário G. 1992. "Os Povos Indígenas no Nordeste Brasileiro: Um Esboço Histórico". In: M. Carneiro da Cunha (org.), História dos Índios no Brasil. São Paulo: FAPESP/SMC/ Companhia das Letras. pp. 431-456.

OLIVEIRA, João Pacheco. Uma etnologia dos "índios misturados"? Situação colonial, territorialização e fluxos culturais.artigo.Professor-titular de Etnologia do Museu Nacional e leciona no PPGAS/UFRJ. E-mail: jpacheco@ism.com.br

SANTOS, Antônio Raimundo dos. Metodologia Cioentífica: a cosntrução do conhecimento. 5ª. Ed. Revisada (conforme NBR 6.023/2000). – Rio de Janiero: DP&A, 2002.

http://www.tg3.com.br/indios. 15 de junho de 2007, às 15:00h.