Nos dias atuais nota-se uma contradição sobre a relação dos povos indígenas e a sociedade envolvente, visto que os primeiros possuem além de costumes e hábitos próprios de uma vida coletiva e a segunda vê a primeira quase sempre com juízo de valor. O índio e o negro no Brasil, até pouco tempo, era sinônimo de piadas e deboches, como: “não sou índio para ter o nariz furado” e “até parece negro”. Essas duas frases deixam claro, como o índio e o negro eram visto perante a sociedade contemporânea brasileira. Porém, o que se vê hoje, é diferente, ser índio é sinal de cidadania, é ter terra para planta e principalmente é visto por certas camadas da sociedade brasileira, como sinal de sobrevivência humana.
O que mudou? A sociedade? Diante dessas indagações tentaremos construir argumentos através deste artigo científico. No entanto, uma abordagem histórica da etnia indígena brasileira se faz necessário para relacioná-la com as políticas afirmativas e compensatórias promovida pelo Estado nos dias atuais para que dessa forma possamos compreender os fatos atuais relacionados à identidade indígena e, sobretudo, as políticas compensatórias e afirmativas para o setor.
É notório que desde o descobrimento do Brasil, os índios brasileiros, principalmente os do Nordeste sofreram um processo de aculturação, onde muitos perderam sua identidade cultural, como a língua original, costumes e hábitos tradicionais. Mas, a principal perda foi gerada pelos padres jesuítas, quando desembarcaram no Brasil, com a missão de catequizar os povos indígenas brasileiros, esse processo pode ser considerado como um verdadeiro genocídio cultural. Muitas tribos ao longo do processo de colonização foram dizimadas do contexto social brasileiro, havendo somente relatos e escritas sobre elas. Uma das principais tarefas dos portugueses no Brasil seria a de "organizar" os índios, trazê-los para a verdadeira fé cristã, para que assim, costumes como a poligamia, a antropofagia, o andar sem roupas, dentre outros, fossem extirpados. Havia unanimidade quanto ao entendimento, por parte dos jesuítas, que tal feito seria fácil, visto que, segundo o Padre Manoel da Nóbrega, estes nativos não adoravam nenhum deus, dizia ele: "são como papel branco, onde podemos escrever à vontade", ele mencionava os tupinambás.
A estimativa era que no Brasil em 1500, existiam de 1 milhão a 3 milhões de indígenas. Em cinco séculos a população indígena brasileira reduziu para aproximadamente 400 mil índios o que representa 0,02% da população brasileira. São encontrados em quase todo o país, mas a concentração maior é nas regiões Norte e Centro-Oeste. A FUNAI registra a existência de 206 povos indígenas, 170 línguas, algumas tribos com apenas uma dúzia de indivíduos. Somente dez povos têm mais de 5 mil pessoas. As 547 áreas indígenas cobrem
Diante de todo esse contexto histórico e social indígena brasileiro, percebe-se por parte do governo, mas leia-se, através das pressões populares minoritárias, um novo contexto político, econômico e social em torno do tema etnia no Brasil, o que significava sinal de estranhamento na sociedade, hoje, é vistos como grupos sociais minoritários e organizados que lutam por reconhecimento de sua cultural e demarcação de suas terras, conseqüentemente assumem a etnia indígena, abrem mão de sua liberdade, para viverem
Segundo João Pacheco Oliveira, na década de
Podemos, dessa forma, creditar o surgimento de “novos índios” relacionados à questão de cidadania. A sociedade brasileira é altamente estratificada, onde abismo social entre os ricos, pobre e miserável é dantesco. Neste sentindo, grupos à margem da sociedade, excluídas socialmente e esquecidas pelo poder público, vêem na identidade étnica indígena uma forma de serem assumidos pelo Estado como cidadãos brasileiros, com direitos a uma cultural própria, saúde, educação, terras demarcadas, etc.
Contudo, temos que ter certo cuidado, por que num país miscigenado como o Brasil, que criteriosamente definem a existência de etnias merecedoras de tratamento especial por parte do Estado. O que se percebe é que as políticas compensatórias e afirmativas no Brasil geraram mais discussão e polêmica sobre o assunto etnia, uma vez, que no sistema de cotas, por exemplo, qualquer indivíduo pode assumir-se como, negro ou índio, que padrões e/ou critérios utilizar para dizer quem é índio e quem não é.
Portanto, para concluirmos, utilizaremos as palavras do economista, Roberto Monte-Mor (UFMG), que diz: “hoje cultura é uma opção”. Ele parte do princípio da relação custo benefício de se assumir a identidade indígena, ou seja, o que se vê na identidade indígena nos dias atuais é que ela está atrelada a questão de bem-estar-social do indivíduo que se encontra em situação de risco social, onde vêem na identidade indígena uma forma de sobrevivência social, cultural, política e econômica, dentro de uma sociedade estratificada e excludente como é o caso do Brasil.
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http://www.tg3.com.br/indios. 15 de junho de 2007, às 15:00h.
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