terça-feira, 27 de abril de 2010

Amapá, o Brasil começa aqui.

Historicamente pode-se dizer que o Amapá tem grande importância para a formação geopolítica brasileira. As terras do Amapá desde 1637, sob o nome de Capitania Hereditária da Costa do Cabo Norte, foram doadas pelos Espanhóis aos Portugueses. Desde então, os portugueses tiveram grandes embates com os ingleses, franceses e holandeses pelas terras onde hoje se encontra o Estado do Amapá.
Em outras palavras, se os portugueses não se defendessem das tentativas de invasões estrangeiras pelo principal porto de entrada que era a foz do Rio Amazonas, onde se encontra o “abstrato” Estado do Amapá, me pergunto: será que o concreto Estado de Goiás existiria hoje? Se não fossem esses acontecimentos a qual o Amapá fez parte e ficou marcado na história brasileira e que infelizmente muitas pessoas não conhecem, acredito fielmente que, grande parte das terras brasileiras não pertenceria à República Federativa do Brasil e sim aos ingleses, franceses ou holandeses pois, quem garante que eles iam se contentar apenas com um “abstrato” pedaço de terra no extremo norte do Brasil.
O Amapá é um Estado impar, temos a Fortaleza de São José de Macapá, construído 1782 pelo então Governador do grão Pará e Maranhão Ataíde Teive, irmão do Marques de Pombal. Essa obra é a maior fortificação construída pelos portugueses no Brasil e hoje umas das setes maravilhas do Brasil. O Amapá possui uma cultura própria como o Marabaixo e o Batuque, temos o açaí com o camarão e o tacacá.
Não temos artistas, escritores, músicos e compositores reconhecidos nacionalmente ou mundialmente porém, temos grandes artistas, escritores, músicos e compositores que escrevem a nossa história, o nosso cotidiano, a nossa terra tucujus e isso é o que importa, valorizamos a nossa cultura respeitando a cultura alheia.
O Amapá é a terra do nunca para quem não conhece nossa simplicidade, a nossa hospitalidade e a nossa cultura. E se o Amapá não é “tão” desenvolvido economicamente a culpa não é nossa e sim de governantes que priorizaram o desenvolvimento das regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste e deram pouca importância para a Região Norte em especial o Estado do Amapá.
Mas, por outro lado, temos o Estado mais preservado das Federações, temos o Parque do Tumucumaque que concentra uma biodiversidade imaginável e o maior parque de área verde do mundo. Nossos índios têm florestas e terras demarcadas, não expulsamos e nem matamos nossos trabalhadores rurais, índios, poceiros, meeiros, e nosso caboclo tucujus para a exploração da madeira, para criação de gado ou para a implantação da monocultura como a soja. Muito pelo contrário somos responsáveis pelo resgate de carbono provocado pelos estados desenvolvidos ou “concretos”.
Nossa bela cidade é banhada pelo maior Rio do Mundo, temos o surf na pororoca. E antes que me esqueça, não posso deixar de mencionar nosso maior jogador o lateral-direita Aldo da Silva do Espirito Santos, mais conhecido como Aldo, tri campeão carioca (1983, 1984 e 1985) e campeão brasileiro (1985), ele é Amapaense e seu irmão Bira foi campeão brasileiro pelo internacional.
Já que estamos falando de futebol, temos um estádio cortado pela linha imaginário do Equador e assim como São José perdeu de 7 a zero para o Goiás e tornou um “Estado Abstrato” fico imaginando o que se tornou o Guarani que perdeu de 8 a 1 dos Santos. O que posso pensar é que realmente o futebol é uma caixinha de surpresa. Quem imaginou que o Amapá se tornaria “abstrato” apenas por uma partida de futebol. Mas tenho certeza que nosso povo tucujus é bem concreto e amistoso, afinal de contas para um povo que tem coragem de “mamar em onça” imagine o que faria com um ignorante metido a escrever sobre o que não conhece ou imaginar conhecer. Pois, o que é “abstração” para certos ignorantes da história ou da geografia brasileira, é sinônimo de orgulho e esperança para o povo tucujus do extremo Norte do Brasil.
Autor: Andre Souto
Sociólogo, amapaense e caboclo tucujus.

Bibliografia:

NEVES. Milton. Que fim levou. Disponível no sitio: http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_interna.php?id=1573&sessao=f, acessado em 27 de abril 2010.

SANTOS. Fernando Rodrigues dos. História do Amapá.
4ª Ed. Macapá - AP / Editora Valcan. 2000.

SOUTO. Carlos Andre da Silva. Os impactos sociais provocado pela migração no Amapá: um estudo de caso do bairro liberdade. Monografia apresentado a faculdade de Macapá – FAMA, ao Colegiado de Sociologia. Amapá, 2007.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

O verdadeiro significado da Páscoa

Atualmente, vivemos em uma sociedade, onde a ordem social, econômica, política e cultural é o capitalismo, tudo que fazermos gira em torno do capitalismo. Se repararmos bem, até mesmo nossas relações com o outro e nossas ações para o outro, está vinculada há certo interesse, ou seja, a uma rua de mão dupla. Aproximamos-nos das pessoas que nos interessam e ajudamos aqueles que nos podem ajuda. Não que isso seja uma regra, mesmo que fossem todas as regras têm exceções.



O que falo é cientificamente comprovado por Max Weber, em sua ação social. Para ele toda relação é cercada de interesses próprios ou coletivos, onde o indivíduo possa ter algum proveito. Até mesmo as relações amorosas existem uma carga de interesse. A pessoa nunca se aproxima de outra por amor, a primeira coisa que faz um indivíduo se aproximar de outro é o interesse. Esse interesse pode se pela beleza, pela inteligência, pela simpatia, assim como, o outro ser bem sucedido, se independente financeiramente, pelo status social, etc. O certo é que de alguma forma as relações estarão carregadas de interesse pessoais de ambas as partes, e somente depois, surge à paixão, o amor propriamente dito, ou não.



Na verdade falo sobre isso, para que façamos uma reflexão sobre nossas ações, para com o próximo, para que possamos fazer o bem sem olhar aquém, sabemos o quanto é difícil, pois faz parte da nossa natureza. Às vezes nos preocupamos com as desgraças que ocorrem bem longe de nós que vemos pela televisão, mas não nos preocupamos com o nosso vizinho, com um parente próximo, com o nosso irmão, com nos pais e avós. Quantos de nós sabemos o nome de nossos vizinhos? Quantos de nós sabemos o que se passa na casa ao lado da nossa? Quantos de nós sabemos o que o nosso vizinho irá comeu hoje? Ou se comeu ontem?



São perguntas que poucos responderão tenho certeza! Pois, vivemos para nós mesmo e mais ninguém. Como diria Thomas Hobbes: “O homem é o lobo do próprio homem”. Mas isso, não é culpa somente nossa, e sim de uma sociedade doente em que vivemos, uma sociedade que nos leva a pensar e agir dessa forma, que nos levar a esquecer das mais nobres ações humanas como a caridade e a solidariedade. Essa mesma sociedade que nos leva a pensar e agir como se a Páscoa fosse somente dá e receber ovos de chocolate de presente, que nos levar ao consumismo, esquecendo do amor ao próximo. Faz nos esquecer que a Semana Santa é a morte e a ressurreição de Cristo e que temos que refletir sobre nossas ações.



Estamos em plena Semana Santa, e muitos não dão a mínima para isso, querem apenas “curtir o feriado prolongado”. Esqueceram de valores que aprendemos com nossos avôs e nossos pais, são tradições que ao longo dos anos vem sendo esmagada pelo capitalismo, a Páscoa virou sinônimo de consumismo, virou um mercado e não uma data Santa, carregado de simbolismos religioso. Perguntem a seus filhos o que representa a Páscoa para eles, façam o teste! Eles responderão que a Páscoa representa apenas um ovo de chocolate com um bom brinquedo dentro e para os pais uma fatura no final do mês do cartão de crédito.